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E-mail da empresa foi invadido: o passo a passo para retomar o controle

Imagem de capa: E-mail da empresa foi invadido: o passo a passo para retomar o controle

Trocar a senha é o primeiro passo, e sozinho ele não resolve. Depois de redefinir a senha, encerre todas as sessões ativas, porque quem já estava conectado continua conectado. Em seguida confira três coisas no painel de administração: se o invasor cadastrou um método de segundo fator próprio, se criou regras na caixa de entrada (inclusive ocultas) e se autorizou algum aplicativo. Enquanto qualquer um desses três existir, ele volta sem precisar da senha.

Este guia traz a ordem correta dos primeiros 30 minutos, onde o invasor costuma se esconder depois da troca de senha, como descobrir há quanto tempo ele estava lá e em que situação a invasão precisa ser comunicada à ANPD.

Como saber se a conta foi mesmo invadida

Na maioria dos casos a empresa não descobre a invasão por um alerta. Descobre por um efeito colateral, e quase sempre tarde. Estes são os sinais mais comuns:

  • Um cliente ou fornecedor avisa que recebeu um e-mail estranho seu. É o aviso mais frequente. Costuma ser uma cobrança com dados bancários diferentes ou um link pedindo login.

  • Mensagens que você não enviou aparecem em Itens Enviados, ou pior, some tudo de lá porque o invasor apaga o rastro.

  • E-mails somem da caixa de entrada sem explicação, principalmente os que falam de pagamento, nota fiscal ou boleto. É sinal de regra criada para desviar.

  • Respostas a conversas que você não iniciou, com o histórico correto abaixo, indicando que alguém está usando a conta dentro de negociações reais.

  • Aviso de login de outro país ou de horário estranho, quando o alerta está ativo. Muitas empresas têm esse alerta e ninguém lê.

Vale um cuidado antes de agir: nem todo comportamento estranho é invasão, e nem toda invasão dá sinal. Se terceiros estão recebendo mensagens em seu nome mas nada aparece nos Itens Enviados, pode ser phishing usando um domínio parecido, e não acesso à sua caixa. Nesse caso o problema é outro, e a resposta também.

Os primeiros 30 minutos, na ordem certa

A ordem importa porque cada passo fecha uma porta diferente. Trocar a senha e parar por aí é o erro mais comum, e é o que faz a empresa achar que resolveu enquanto o invasor continua lendo tudo.

Ordem

Ação

Onde fazer

Se pular esse passo

1

Bloquear a conta ou redefinir a senha

Painel de administração, não pelo próprio usuário

O invasor segue entrando com a senha antiga

2

Encerrar todas as sessões ativas

Painel de administração

Quem já estava logado continua logado, mesmo com senha nova

3

Conferir os métodos de segundo fator cadastrados

Configurações de segurança do usuário

Ele cadastrou o próprio celular e volta quando quiser

4

Procurar regras de caixa de entrada, inclusive as ocultas

Regras da caixa e painel administrativo do e-mail

Ele continua recebendo cópia de tudo

5

Revogar aplicativos com permissão concedida

Aplicativos conectados à conta

A autorização continua válida sem precisar de senha

6

Revisar delegações e permissão de envio em nome de outro

Permissões da caixa de correio

Ele envia mensagens como se fosse o usuário

Dois cuidados que a documentação da Microsoft sobre resposta a uma conta de e-mail comprometida destaca e que costumam passar batido: não envie a nova senha por e-mail, porque o invasor pode estar lendo a caixa, e lembre que senhas de aplicativo não são revogadas automaticamente na troca da senha principal.

Analista revisando as sessões ativas e as regras da caixa de e-mail no painel de administração.

Onde o invasor continua depois que você troca a senha

Quem invade uma caixa corporativa raramente quer causar barulho. Quer ficar. E para ficar, ele deixa mecanismos que sobrevivem à troca de senha. São quatro os mais comuns.

  • Regras na caixa de entrada, e aqui está o detalhe que quase todo mundo perde: existem regras que não aparecem na interface web. A documentação da Microsoft orienta a listar as regras com o parâmetro que inclui as ocultas, porque uma regra criada por script pode ficar invisível para quem olha só pelo Outlook. Vale perguntar ao seu TI se a checagem incluiu as regras ocultas ou só as visíveis.

  • Encaminhamento configurado no servidor, não na caixa. É diferente da regra de caixa de entrada e fica em outro lugar. Uma cópia de tudo sai para um endereço externo sem deixar rastro na pasta do usuário.

  • Aplicativo autorizado com permissão de leitura. Se em algum momento o usuário clicou em “permitir” para um aplicativo, aquela autorização continua funcionando independentemente da senha. Revogar é o único jeito.

  • Método de segundo fator cadastrado pelo invasor. Ele adiciona o próprio número ou aplicativo autenticador. Na próxima vez, entra pela porta da frente e a empresa acha que foi o usuário.

Enquanto qualquer um dos quatro estiver ativo, a conta não foi recuperada. Foi só maquiada. É por isso que tratar o caso como incidente de segurança, com uma sequência definida, muda o resultado em relação a resolver por improviso.

Há quanto tempo ele estava lá dentro

Essa pergunta define o tamanho do problema, e a resposta está nos registros de acesso. Vale levantar de onde partiram os logins, em que horários e quais foram os primeiros acessos estranhos. Em muitos casos a invasão começou semanas antes do dia em que alguém percebeu.

O período importa por dois motivos práticos. O primeiro é saber o que o invasor pode ter lido, o que muda a conversa com clientes e fornecedores. O segundo é entender se houve saída de informação, e não só leitura, porque isso é o que define o passo seguinte.

Um exemplo do que costuma aparecer nessa apuração: em um escritório de contabilidade, a caixa comprometida era a do setor de faturamento, e o invasor tinha uma regra desviando todas as mensagens com a palavra “boleto”. Ninguém notou por dois meses, porque os clientes reclamavam de cobrança e o time achava que era falha do sistema de envio. O aviso veio quando um cliente pagou para a conta errada.

Se a apuração indicar acesso a documentos com dados de clientes, o caso deixa de ser só técnico e passa a ser também de vazamento de dados, com obrigações próprias.

A invasão precisa ser comunicada à ANPD?

Depende do que a apuração mostrar, e a regra tem prazo.

Segundo a página oficial da ANPD sobre comunicação de incidente de segurança, baseada na Resolução CD/ANPD nº 15, de 24 de abril de 2024, a comunicação à ANPD e aos titulares deve ser feita pelo controlador no prazo de três dias úteis, contados do conhecimento do incidente que possa acarretar risco ou dano relevante aos titulares. A mesma página registra que a comunicação voluntária e antecipada demonstra transparência e boa-fé, o que é considerado favoravelmente pela autoridade.

Três dias úteis é pouco tempo para quem ainda está tentando entender o que aconteceu. Por isso a apuração técnica precisa correr em paralelo à contenção, e não depois dela. Na prática, quem cuida da proteção de dados na empresa deve ser avisado no mesmo dia em que a invasão é identificada, mesmo antes de existir conclusão, para que o prazo não comece a correr sem ninguém saber.

Vale a ressalva: nem toda conta invadida gera obrigação de comunicar. A avaliação depende de haver dados pessoais envolvidos e de o incidente representar risco ou dano relevante aos titulares, o que precisa ser analisado caso a caso, com apoio de quem responde pela proteção de dados na empresa.

Gestor e equipe de TI revisando o registro do incidente e os prazos de comunicação.

O que fazer para não acontecer de novo

Recuperar a conta resolve o episódio. Não repetir depende de três medidas, e nenhuma delas é cara.

  • Segundo fator em todas as contas, sem exceção. É o controle de maior efeito aqui, porque a senha vazada deixa de ser suficiente. O MFA costuma já estar disponível no pacote de e-mail que a empresa paga, e a resistência costuma ser de conveniência, não de custo. Preferir aplicativo autenticador a código por SMS.

  • Auditoria periódica das regras de encaminhamento. Uma verificação a cada trimestre nas caixas do financeiro, da diretoria e do comercial encontra o que passou despercebido. É rápido e não depende de comprar nada.

  • Alerta de login fora do padrão, com alguém lendo. O alerta existe na maioria dos ambientes e vai para uma caixa que ninguém abre. Definir quem recebe e o que fazer ao receber é metade do trabalho.

Uma ressalva importante para não criar falsa sensação de segurança: o segundo fator reduz muito o risco de invasão por senha vazada, mas não impede todos os cenários. Existem ataques que capturam a sessão já autenticada, e existe o caso em que quem foi comprometido é o fornecedor, e não você. O conjunto de práticas de proteção de dados cobre essas outras frentes, incluindo backup e controle de acesso.

Como a HLTI conduz esse tipo de incidente

No atendimento a uma conta comprometida, a sequência é a da tabela acima, executada pelo painel de administração e registrada passo a passo: bloqueio, encerramento de sessões, revisão dos métodos de segundo fator, varredura de regras incluindo as ocultas, revogação de aplicativos autorizados e conferência de delegações.

Em paralelo corre o levantamento do período de acesso, para dizer ao gestor o que pode ter sido visto e por quanto tempo. Esse registro é o que sustenta a conversa com clientes e a avaliação sobre comunicar ou não o incidente dentro do prazo. Depois, entram as medidas para não repetir: cobertura de segundo fator, auditoria periódica de regras e definição de quem recebe os alertas.

O acompanhamento é contínuo, com NOC 24×7. Hoje, 98% dos incidentes são tratados de forma proativa, antes de virarem chamado, e casos críticos têm resposta em até 1 hora e resolução em até 4 horas em contrato. O modelo de TI gerenciada não tem multa de fidelidade: para encerrar, bastam 30 dias de aviso prévio.

Conclusão

Recuperar um e-mail invadido é uma sequência, não um botão. Senha nova, encerramento de todas as sessões, revisão dos métodos de segundo fator, varredura das regras da caixa incluindo as ocultas, revogação de aplicativos autorizados e conferência de delegações. Enquanto qualquer um desses pontos ficar de fora, a conta continua acessível.

Em paralelo vem a pergunta que define o resto: há quanto tempo o invasor estava lá e o que ele pode ter lido. Se houver dados pessoais envolvidos e risco relevante aos titulares, o prazo de comunicação é de três dias úteis, o que exige avisar quem responde pela proteção de dados já no primeiro dia.

A HLTI atua há mais de 34 anos em TI, com mais de 175 empresas atendidas e 700 projetos entregues, oferecendo resposta a incidentes, suporte proativo e contrato sem multa de fidelidade. Se você suspeita que uma conta da sua empresa foi comprometida, ou quer saber como está a proteção do seu e-mail hoje, fale com a nossa equipe e solicite o diagnóstico da sua infraestrutura.


Perguntas Frequentes

Trocar a senha é suficiente para recuperar uma conta invadida?

Não. Quem já estava conectado continua conectado até que as sessões ativas sejam encerradas. Além disso, o invasor pode ter cadastrado um método próprio de segundo fator, criado regras na caixa de entrada, configurado encaminhamento no servidor ou autorizado um aplicativo. Qualquer um desses mecanismos continua funcionando com a senha nova, então a checagem precisa cobrir os quatro.

Por que algumas regras de encaminhamento não aparecem no Outlook?

Porque regras criadas por script podem ficar ocultas na interface. A documentação da Microsoft sobre resposta a conta comprometida orienta a listar as regras usando o parâmetro que inclui as ocultas, além de verificar separadamente o encaminhamento configurado no nível do servidor. Se a verificação foi feita apenas pelo Outlook, provavelmente ficou incompleta.

Qual é o prazo para comunicar a invasão à ANPD?

Segundo a ANPD, com base na Resolução CD/ANPD nº 15, de abril de 2024, a comunicação à autoridade e aos titulares deve ser feita pelo controlador em até três dias úteis a partir do conhecimento do incidente que possa causar risco ou dano relevante. A avaliação sobre haver ou não essa obrigação depende do que a apuração mostrar e deve envolver quem responde pela proteção de dados na empresa.

Como a HLTI conduz a recuperação de uma conta corporativa comprometida?

A HLTI executa a sequência de contenção pelo painel de administração, com bloqueio da conta, encerramento das sessões ativas, revisão dos métodos de segundo fator, varredura das regras da caixa incluindo as ocultas, revogação de aplicativos autorizados e conferência de delegações. Em seguida levanta o período de acesso para dimensionar o que foi exposto e apoia o gestor nas medidas para não repetir, com SLA em contrato.

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